Dor em Idosos com Dificuldade de Comunicação

A dor é definida pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) como “uma experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões”. É sempre subjetiva e possui componentes sensório-discriminativos, cognitivos e afetivo-motivacionais, tratando-se de uma experiência altamente moldada pelo contexto e pela percepção do seu significado.

A experiência dolorosa está frequentemente associada a sofrimento, podendo ser interpretada como um sinal de alerta de um desequilíbrio na integridade física ou emocional.

A dor é uma condição frequente entre os idosos, especialmente entre os institucionalizados, chegando a atingir 50% destes indivíduos. Em idosos institucionalizados com demência, dor ou condições potencialmente dolorosas são bastante comuns, com prevalência estimada de 49 a 83%. A dor não tratada pode ocasionar síndromes dolorosas crônicas, alterações comportamentais, diminuição da funcionalidade, aumento da morbidade e piora considerável da qualidade de vida.

A avaliação da dor é um desafio em idosos com dificuldade para se comunicar como o que ocorre naqueles com comprometimento cognitivo. Pacientes com demência avançada muitas vezes são incapazes de interpretar e comunicar a sensação de dor. Consequentemente, os profissionais da saúde reconhecem menos a dor nestes pacientes e ela é frequentemente subtratada. A detecção e o tratamento da dor nesta população são essenciais para manter o mínimo conforto destes pacientes, além de trazer benefícios na qualidade de vida e funcionalidade.

As condições mais comuns associadas a dor nestes pacientes são osteoartrite, fratura prévia de quadril, osteoporose, úlcera por pressão, contraturas, neuropatias periféricas, depressão, retenção urinária, constipação, história recente de quedas e instabilidade na marcha.

A Sociedade Americana de Manejo de Dor (The American Society for Pain Management Nursing) sugere cinco princípios para guiar a avaliação da dor em populações com dificuldade de comunicação verbal:
1.Obter o auto-relato sempre que possível;
2.Investigar possíveis patologias que podem estar causando dor;
3.Observar comportamentos que podem sugerir presença de dor; como expressões faciais (ex. franzir a testa e sobracelhas, fazer caretas); vocalizacoes (ex. gritos, gemidos); movimentos corporais (ex. rigidez, tensão, inquietação); interação interpessoal (ex. agressividade, retraimento social); mudanças no padrão de atividades (ex. alteração na rotina de movimentos físicos); mudança no status mental (ex. irritabilidade, confusão mental, alteração do sono).
4.Solicitar “surrogate report” ou relato do familiar ou cuidador próximo sobre a presença de dor;
5.Usar analgésicos para avaliar se o tratamento da dor causa alteração comportamental.

Nos últimos anos tem surgido muitos avanços na área de avaliação de dor em pacientes com dificuldade de comunicação e alguns instrumentos tem sido propostos com essa finalidade. O conhecimento desses instrumentos é importante para que a dor nestes pacientes possa ser mais melhor identificada e tratada.

A preocupação em desenvolver e validar escalas de avaliação de dor em idosos incapazes de se comunicar verbalmente, como os portadores de demência, deverá melhorar substancialmente a qualidade de vida desses idosos.