Dor Crônica e Idoso

O crescimento da população de idosos é um fenômeno mundial. Segundo estimativas, nas próximas duas décadas, o número de pessoas com idade superior a 60 anos deverá dobrar, sendo que em 2025, o Brasil ocupará o 6º lugar na posição mundial em número de idosos.

Em consequência ao processo de envelhecimento populacional, surge um novo cenário epidemiológico marcado pelo aumento de problemas crônicos de saúde, como os relacionados às doenças musculoesqueléticas, compondo diversas patologias associadas à dor.

Considerada a principal queixa nos consultórios médicos, a dor em idosos é bastante comum. Estima-se uma prevalência entre 20% a 50% naqueles que vivem na comunidade. Esse número aumenta para 45% a 80% nos institucionalizados, podendo ser ainda maior naqueles hospitalizados.

A dor crônica é a mais prevalente e suas consequências são diversas: isolamento social, distúrbios do sono, ansiedade, depressão, dificuldade para realizar as atividades  diárias e prejuízo na auto-avaliação de saúde.

As principais causas de dor crônica no idoso são relacionadas às doenças osteoarticulares degenerativas (osteoartrose), osteoporose e suas consequências, fraturas, doença vascular periférica, neuropatia diabética, neuralgia pós-herpética, síndrome dolorosa pós-AVC (Acidente Vascular Cerebral), dor do membro fantasma, polimialgia reumática, neoplasias, desordens musculoesqueléticas e quaisquer condições que levam ao prejuízo da mobilidade.

Muitas pessoas acreditam que a dor é uma consequência natural do envelhecimento. Sua presença pode ser negada por medo dos procedimentos e possibilidades diagnósticas, dos efeitos adversos aos tratamentos e perda de autonomia por quem sofre. Isso faz com que a dor não receba a devida atenção e na maioria das vezes seja subdiagnosticada e subtratada.

Infelizmente, alguns profissionais de saúde ainda não abordam a dor corretamente e inúmeros idosos convivem com essa queixa desnecessariamente. A atenção global da dor nos idosos, por uma equipe multidisciplinar especializada em tratamento de dor, possibilita reduzir esse sofrimento para o individuo e sua família, permitindo assim, redução da dependência funcional e melhora da qualidade de vida daquele que vivencia o problema.

Dra. Karol Thé.