Dor Total

ArtigoDorA dor associada ao câncer é descrita como ‘Dor Total’, termo criado por Cecily Saunders em 1967, pioneira dos Cuidados Paliativos no mundo. Ela caracteriza-se como uma síndrome que, além da dimensão física, os aspectos emocionais, sociais e espirituais são igualmente importantes e influenciam na gênese e na expressão da queixa.

Para os mais de 10 milhões de pessoas que são diagnosticadas com algum tipo de câncer no mundo a cada ano, a dor é o sintoma mais frequente e preocupante. Sua prevalência chega a 50% nos estágios iniciais, 75% nos avançados e 33% nos pacientes que sobrevivem ao câncer. Esses dados preocupantes fizeram com que a Organização Mundial da Saúde, ainda na década de 80, elegesse a dor associada ao câncer, como uma emergência médica mundial.

Para falar um pouco mais sobre o assunto, conversamos com a Dra. Karol Bezerra Thé (foto), médica geriatra que faz parte da equipe multidisciplinar do Centro Integrado de Tratamento da Dor.

A dor é mais frequente no inicio da doença? Ou ela acompanha o paciente em todo o processo de tratamento?
A dor associada ao câncer pode ser secundária ao tratamento antitumoral, quando ocorre após cirurgias ou por complicações pós-quimioterapia e radioterapia, por conta de outras desordens não relacionadas ao câncer, como por exemplo, lombalgias de origem musculoesqueléticas, mas principalmente, devido ao próprio tumor primário ou decorrente de metástases (quando o tumor maligno invade tecidos ou órgãos vizinhos formando tumores secundários).

Seu controle merece prioridade por várias razões. O sofrimento gerado desnecessariamente prejudica a funcionalidade, o sono, provoca problemas emocionais, isolamento social, recusa às terapias potencialmente curativas, além de gerar impacto negativo na sobrevida e na qualidade de vida.

Como tratar a dor no paciente com câncer?
A dor no câncer pode ser completamente controlada em 80 a 90% dos pacientes e um nível aceitável de alivio pode ser atingido no restante, dependendo da identificação correta da sua origem. A mensuração da dor é o parâmetro fundamental para a orientação terapêutica. O tratamento adequado da dor no câncer requer não apenas o conhecimento do uso correto de medicações, como os opióides e adjuvantes, mas, sobretudo, atenção especial para os outros aspectos dos cuidados e isso torna a abordagem multidisciplinar mandatória. Para aliviar o sofrimento é preciso entendê-lo desde a sua definição até seus components.

Quais as novidades e tratamentos mais adequados nessa área?
Na atualidade, diversas terapias complementares têm evidências suficientes para serem implantadas juntamente com os tratamentos convencionais. São exemplos, a prática de exercícios de relaxamento, acupuntura, técnicas de exercícios de respiração profunda, yoga, meditação, fisioterapia, psicoterapia, entre outros.

Uma grande parcela de pacientes também é beneficiada pela medicina intervencionista da dor, através de técnicas de radiofrequência ou bloqueios neurolíticos para o controle álgico. A participação de uma equipe interdisciplinar, integrada e comprometida eleva a probabilidade do sucesso terapêutico, acarretando redução do sofrimento e melhora da qualidade de vida para os pacientes e seus familiares. .